Há filmes que marcam pelas técnicas utilizadas, pela sua narrativa fílmica. Há filmes que marcam pela qualidade dos actores. Há filmes que marcam pela sua mensagem. O melhor filme destaca-se quando factores como a qualidade dos actores e a sua mensagem se fundem num só. A lenda de Robin Hood tem centenas de anos. Os problemas da longínqua época de Robin Hood reaparecem, tornam-se mais graves. Os contornos, o contexto, as pessoas podem ter mudado, mas no fundo da questão, na sua base, tudo se assemelha.
Todos conhecem a história de Robin Hood. O povo ultrapassava enormes dificuldades que comprometiam a sua subsistência. O Rei vivia à custa do trabalho dos pobres, cobrava impostos desadequados. Robin Hood era o herói do povo, roubava aos ricos, para que os pobres pudessem ter a possibilidade de se sustentar, de sobreviver.
Hoje não vivemos numa monarquia. Hoje não temos nenhum herói. A crise que atravessamos obriga-nos a pagar impostos elevados, que servem para pagar erros cometidos pelos que nos governam e pelo nosso modo de vida megalómano. Os pobres ficam cada vez mais pobres, os ricos perdem riqueza, mas continuam a sua vida de forma mais ou menos estável.
É preciso encontrar um herói. Não um herói mítico, não um herói individual. Temos todos de ser heróis. Fazer sacrifícios, prescindir de luxos, ajudar quem precisa.
Se Russel Crowe é candidato ao Óscar de melhor actor principal, Ridley Scott merece a nomeação para o de melhor realizador. Robin Hood torna-se um alerta para todos nós. As dificuldades agudizam-se: é preciso fazer com que os ricos prescindam de "luxos" para permitir a subsistência dos pobres. Tal como Robin Hood roubava aos ricos para dar aos pobres...

Sem comentários:
Enviar um comentário